PUBLICAÇÕES & FERRAMENTAS

Segurança Social – o jogo da verdade e da mentira

No fim de semana de 11-13 de setembro realizou-se em Namur (Bélgica) uma oficina lúdica sobre as verdades e mentiras da segurança social e sua relação com a dívida pública. Contou com a presença de activistas de toda a Europa, África e América Latina, incluindo alguns membros da comunidade portuguesa migrada na Bélgica.

Objectivo da sessão: desmontar vários mitos correntes e esclarecer alguns dados e conceitos fundamentais – a sustentabilidade da segurança social, a questão demográfica, o envelhecimento da população, o que é a dívida pública e qual a sua relação com o desmantelamento da segurança social; a origem da segurança social e seus possíveis efeitos nas actuais circunstâncias históricas – mas também relançar o debate futuro destes temas, impossíveis de esgotar numa só sessão, em renovados moldes.

ludo-1.ed

O que é uma oficina lúdica?

Este tipo de sessões caracteriza-se pela sua forma lúdica: através de jogos de animação colectiva, são inquiridas as ideias dos participantes acerca dos temas em foco, os seus conhecimentos sobre o assunto; faz-se o levantamento dos problemas e preocupações que os participantes encontram em relação aos temas propostos. Segue-se um debate sobre o material assim recolhido, seja na forma de assembleia clássica de debate, seja por outros meios mais animadores.

A experiência já efectuada demonstra que por métodos lúdicos e bem dispostos também é possível discutir ideias e factos com grande rigor – o estado actual da segurança social pode ser uma chatice, mas a sua discussão pode ser (e deveria ser) um momento de entusiasmo e boa disposição.

Esta oficina lúdica pode ser encomendada e realizada na vossa região!

A sessão de Namur foi a estreia deste atelier. Dado o seu sucesso e o entusiasmo com que foi recebida, conclui-se que seria útil replicá-la por esse país fora (ver condições mais à frente).

Temas abordados na oficina:

  • História abreviada da segurança social – apenas o suficiente para desfazer os mitos sobre a origem das organizações de solidariedade e ajuda mútua e para situar as questões de actualidade:
    • origens da segurança social;
    • a luta histórica pelo controle dos fundos da segurança social;
    • características iniciais versus problemas actuais;
    • repartição versus capitalização.
  • Os grandes mitos actuais da segurança social:
    • existe realmente um problema de sustentabilidade?;
    • o envelhecimento da população gera realmente um problema de sustentabilidade?;
    • os custos das funções sociais do Estado serão excessivos?;
    • qual o efeito dos custos das funções sociais na dívida pública? (ou vice-versa).
  • O uso da segurança social como mecanismo de transferência de recursos colectivos para o capital.
  • Perguntas anotar para debate futuro (nem tudo pode ser discutido numa só sessão!):
    • será possível defender a segurança social tal como a conhecemos, sem resolver o problema da dívida pública?;
    • será possível ou mesmo conveniente lutar pela retoma da autonomia total da segurança social?;
    • os actuais métodos de contribuição para a Segurança Social (no caso português, a chamada TSU, taxa social única) são adequados e justos?; ou haverá alternativas mais adequadas às características da nossa sociedade e da economia contemporânea?

Este é o esqueleto previsto à partida. Mas o facto de começarmos por inquirir as ideias, as preocupações e o grau de informação dos participantes pode gerar no local, em cima da hora, um rearranjo desta agenda. Nesse caso a tendência será sempre para restringir, focar e aprofundar os temas escolhidos, e não para aumentar a dispersão do debate.

A primeira sessão desta oficina lúdica, em Namur, foi concebida e animada por Rui Viana Pereira, do CADPP (Comité para a Anulação da Dívida Pública Portuguesa) e por dois sindicalistas belgas. As sessões a realizar em Portugal serão coordenadas por Rui Viana Pereira e por outros animadores à sua escolha (eventualmente residentes na região onde se realizar a sessão).

Condições de realização da oficina

Custos

  • os custos de deslocação e alimentação dos animadores terão de ser suportados pelos promotores da sessão. Em princípio (pode variar caso a caso) deslocar-se-ão dois animadores.

Instalações – é necessário garantir:

  • espaço suficiente para que as pessoas possam movimentar-se à vontade durante a parte mais lúdica da sessão;
  • cadeiras suficientes para todos os participantes;
  • uma mesa ampla de trabalho para os animadores (para depositar e gerir materiais);
  • caso faça bom tempo, é possível realizar a sessão ao ar livre (adaptando-se nesse caso os materiais e instrumentos de trabalho).

Instrumentos e materiais de trabalho:

  • quadros negros ou brancos; locais para pendurar/afixar folhas de papel A2;
  • folhas ou rolos de papel; marcadores; possibilidade de efectuar cópias impressas de folhas soltas, em número suficiente para todos os participantes (se não existir esta possibilidade local, tentar-se-á preparar os materiais com antecedência);
  • caso a sessão se realize em sala fechada, um projector de vídeo pode ser útil (mas não é condição necessária – os animadores podem adaptar métodos à condições locais, desde que estas sejam claramente explicitadas).

Duração

  • 3 a 4 horas; variável, consoante o referido inquérito aos participantes.

Número de participantes

  • em princípio, de 10 a 40. Existe um número mínimo aconselhável (na verdade ainda não testado…) abaixo do qual não é possível efectuar as animações previstas; da mesma forma, existe um número máximo aconselhável, acima do qual se torna difícil gerir a sessão e muitas pessoas ficam desencorajadas de participar activamente.

Contacto e «encomenda»

 

Vem fazer connosco o jogo da mentira e da verdade (da segurança social)!

Comments are closed.

Powered by: Wordpress